sábado, 26 de maio de 2012
Des-canso.
Des-canso.
Descansa entre as folhas minhas dores,
No fértil solo sagrado, meu corpo, cansado
Descansa, debanda, deitado...
Entre as folhas, entre as flores.
Descansa entre os contos, entre lábios
No fundamento terrestre, nos terrores
Meu corpo, minhas senhoras e seus senhores
Com a agitação do descansar deitado.
Preocupações deitadas, saltados tumores,
Ruborizando meu descanso, deitado
Entre as folhas, entre o prado
Entre canções, entre tambores.
Descanso preocupado, fatigado.
Entre as vinhas, entre as cores
Na matiz preguiçosa dos tremores
Do epicentro cardíaco e adoentado.
Ando cansado,
Te-mores
Alhures Des-canso,
Ar-dores...
~César Augusto.
Foto: Henderson Baena
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Acaso
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Poeira
domingo, 29 de abril de 2012
O tempo.
sábado, 21 de abril de 2012
Encanto

“Parti, coração, parti,
navegai sem vos deter,
ide-vos, minhas saudades
a meu amor socorrer” Gregório de Matos
Encanto.
Você que diz o amor
Diz não ser cura
Diz não ser sua
Toda vontade e dor
Diz não conhecer a flor
Que ontem foi oferecida
Diz não ser amante ou traída
Ou disso não ser remédio
Diz o amor, diz tédio
Mas não deixa minha ida.
Você que fala de surpresas
Mas foge dos convites
Diz não ser de bom alvitre
Diz injustas as terças
Diz vazias as mesas
Quando chamei o vinho
Foges das frases, dos mimos
Diz querer fechar os olhos
Mas nunca soltou fogos
Nunca aceitou meu carinho
Diz não ser amor isso
Diz não ser o desejo
Diz a rotina, diz o beijo
E nunca admitiu o vício
Sempre tratou como ilícito
Todo meu carinho de você
Ligações na quartas,
Todas as dedicadas cartas
E nunca deixou dizer pertinho
Nunca disse desquerer o versinho
Que escrevi sobre suas sardas.
~César Augusto.
Foto: Henderson Baena
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Desmentindo

Desmentindo
~I
Atualmente desmenti, metade das minhas mentiras
Nesses dias, desmistifiquei a magia de muitas coisas
Ando constantemente matando quem eram as pessoas
Que entronei sem sangue, sem luta, que não me queria
Só com letras. Só com sonhos. Percebi, que não sentia.
Descobri à pouco que muitas das coisas eram outras.
Que meus desejos eram outros, eram onde, eram forças
Para simplesmente continuar a dizer que mal-fazia.
Atualmente perquiri e tive solução, exato e desapaixonado.
Presenteei-me a verdade do vazio, a morte de muitos fatos
Que me tornavam amante sem leito, sem sentido
Rasguei aqueles meus versos heróicos e minha parnasiana
E todas as formas inverídicas com as quais falei da chama
Que não queimava, iluminava ou era abrigo
~II
No inverno da razão, amei sem passarinhos, sem flores,
Despetalei todo o mal-me-quer desse frio fantasma
Não fiz mais romances, sonetos, prosas ou cartas
Nem mesmo me peguei a desmerecer os reais amores.
Nesses dias de solidão, quando a faca causa sangue e dores.
Eu sofro, mas pelo metal, pelo fio, não por aquelas armas
Que me matavam infalível e rasgavam, sem garras
O que hoje tenho como meus platônicos rancores.
Desmenti metade das folhas e mais um pouco de mim,
Exorcizei todos os teus atributos das silabas e do nanquim
E sou mais feliz, mais real, menos cansado e cansativo.
Odes não me aprisionam, versos não enforcam,
As rimas não me sangram, as virgulas não me invocam
Estou mais para um pedaço disso, mas ainda vivo.
~III
E sem essas alegorias, sem esse silêncio, sem a covardia,
Sem viver daquelas entrelinhas, nos entremeios do abismo
Não tenho mais medo de morrer da inanição e do cinismo
De uma figura que sequer amava, respirava ou existia.
Era só silêncio, maçã de cera, ilusão que machucava e perfazia
Mais solidão, mais revolta e outros tantos litros
Do líquido da tristeza e da fome dos mais errados livros
Que me levavam a negar o pouco saber que me constituía.
Atualmente desmenti, essa saudade que andei criando.
Explodi todos os ídolos que andei amando.
Nesses dias, descobri as correntes nos teus pés.
Percebi o gesso nos teus joelhos
Apaguei todo o fogo dos teus cabelos
E caminhei por tua imagem através.
~César Augusto.
Foto: Henderson Baena
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Nessas Coisas.

“Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.” José Saramago.
Nessas Coisas.
Não sou muito bom nessas coisas,
Nessas assim: de contar tempo,
ou quandos, ou porquês.
Tudo vai e volta sem saber
Que horas fiquei sabendo.
Porque não sou bom nessas coisas,
Nessas assim: de escolher caminhos,
Ou retornos, ou vias alternativas
Tudo é acaso e destino na lasciva
Forma de padrão que não descobrimos.
Simplesmente por não ser bom nessas coisas.
Nessas assim: desapegos ou desamores,
Ou Desalentos, ou des-iludidos,
Tudo ama quando quer e até os indecisos
Decidem quando abstém-se dos tremores.
Ninguém é bom mesmo nessas coisas.
Nessas assim: de ser bom, de ser fato.
Ou de ser sólido, ou ser quem, ou de ser forma.
Tudo se escreve sozinho, psicografado
Por uma instância nascitura da veia aorta.
~César Augusto
Foto: Henderson Baena



